Não existe outra motivação dentro dos serviços públicos
além de dinheiro, altos salários, benefícios?
A gestão pública, ao mesmo tempo em
que é um setor profissional da sociedade almejado por muitos, parece que para
outros, nem tanto assim, devido a questão financeira. Mas, será se não há
atrativos? Será que não há desafios? Como tratei em um outro artigo que escrevi
(https://liderancapublica.blogspot.com/2019/10/trabalhar-no-setor-publico-sua-chance.html),
não há mais interesse dos profissionais nesta questão?
Vamos exemplificar. O atual prefeito
de São Paulo, Sr. Bruno Covas, no mês de fevereiro/19, sancionou (na surdina),
uma lei para beneficiar os secretários municipais da cidade, alegando que, para
convidar profissionais gabaritados para exercer os respectivos cargos, o
salário mensal de cerca de R$ 19.000,00 é pouco atrativo (quase 20 vezes o
salário mínimo do país, onde em São Paulo a renda média per capita é de R$
1.712 e temos, atualmente, conforme estatística do IBGE, quase 13 milhões de
desempregados). Entendo que não é um cargo qualquer, muito menos que deva ser
exercido por um profissional que não seja da área, mas considerar R$ 19.000,00
insuficientes, já é um pouco demais (desculpem o trocadilho final)! Esta lei
permite que cada secretário possa fazer parte do Conselho Administrativo de
empresas públicas, o que era vetado anteriormente, podendo este acrescer de
JETOM (que é o pagamento realizado tanto na esfera municipal, estadual ou
federal, por serviços extraordinários realizados por parlamentares,
secretários, ministros entre outros, seja em sessões extraordinárias como em
conselhos administrativos de empresas públicas) o valor de R$ 6.000,00 (e R$
3.000,00 para participação em conselhos fiscais destas empresas). Contudo, há
secretários que participam em mais de um conselho administrativo como o
secretário de governo Mauro Ricardo, que participa do Conselho Administrativo
da SP Urbanismo e do conselho da SP Obras. Não ficou claro na nova lei sancionada
se o acúmulo de “conselhos” adiciona mais jetons ao salário dos secretários. Se
todos os secretários, são 25 no total, ocuparem um cargo em Conselho
Administrativo, isto acarretará, somente de jetons, quase R$ 2 milhões
reais/ano aos cofres públicos.
Compreendo, nem relógio trabalha de
graça, entretanto, onde está a cidadania destes nossos gestores? Não há nenhuma
motivação, objetivo ou simplesmente vontade de melhorar a cidade, fazê-la
crescer, se desenvolver? Só o ganho financeiro que importa? Existem tantos
outros benefícios como carro, motorista, entre outros e, torno a repetir, R$
19.000,00 não bastam? A sensação que temos é que nossos gestores não se
importam com o município, estado ou mesmo a nação que “ajudam a gerir”,
simplesmente o que vale é seu próprio interesse, o seu próprio bolso. Será que
estou sendo muito crítico? Ou esta sim é a realidade em que vivemos? Parece que
só trocaram os palhaços, pois o circo continua o mesmo...
Até a próxima!
Bibliografia:

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