quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Somente dinheiro motiva um Gestor Público?


Não existe outra motivação dentro dos serviços públicos além de dinheiro, altos salários, benefícios?


A gestão pública, ao mesmo tempo em que é um setor profissional da sociedade almejado por muitos, parece que para outros, nem tanto assim, devido a questão financeira. Mas, será se não há atrativos? Será que não há desafios? Como tratei em um outro artigo que escrevi (https://liderancapublica.blogspot.com/2019/10/trabalhar-no-setor-publico-sua-chance.html), não há mais interesse dos profissionais nesta questão?
Vamos exemplificar. O atual prefeito de São Paulo, Sr. Bruno Covas, no mês de fevereiro/19, sancionou (na surdina), uma lei para beneficiar os secretários municipais da cidade, alegando que, para convidar profissionais gabaritados para exercer os respectivos cargos, o salário mensal de cerca de R$ 19.000,00 é pouco atrativo (quase 20 vezes o salário mínimo do país, onde em São Paulo a renda média per capita é de R$ 1.712 e temos, atualmente, conforme estatística do IBGE, quase 13 milhões de desempregados). Entendo que não é um cargo qualquer, muito menos que deva ser exercido por um profissional que não seja da área, mas considerar R$ 19.000,00 insuficientes, já é um pouco demais (desculpem o trocadilho final)! Esta lei permite que cada secretário possa fazer parte do Conselho Administrativo de empresas públicas, o que era vetado anteriormente, podendo este acrescer de JETOM (que é o pagamento realizado tanto na esfera municipal, estadual ou federal, por serviços extraordinários realizados por parlamentares, secretários, ministros entre outros, seja em sessões extraordinárias como em conselhos administrativos de empresas públicas) o valor de R$ 6.000,00 (e R$ 3.000,00 para participação em conselhos fiscais destas empresas). Contudo, há secretários que participam em mais de um conselho administrativo como o secretário de governo Mauro Ricardo, que participa do Conselho Administrativo da SP Urbanismo e do conselho da SP Obras. Não ficou claro na nova lei sancionada se o acúmulo de “conselhos” adiciona mais jetons ao salário dos secretários. Se todos os secretários, são 25 no total, ocuparem um cargo em Conselho Administrativo, isto acarretará, somente de jetons, quase R$ 2 milhões reais/ano aos cofres públicos.
Compreendo, nem relógio trabalha de graça, entretanto, onde está a cidadania destes nossos gestores? Não há nenhuma motivação, objetivo ou simplesmente vontade de melhorar a cidade, fazê-la crescer, se desenvolver? Só o ganho financeiro que importa? Existem tantos outros benefícios como carro, motorista, entre outros e, torno a repetir, R$ 19.000,00 não bastam? A sensação que temos é que nossos gestores não se importam com o município, estado ou mesmo a nação que “ajudam a gerir”, simplesmente o que vale é seu próprio interesse, o seu próprio bolso. Será que estou sendo muito crítico? Ou esta sim é a realidade em que vivemos? Parece que só trocaram os palhaços, pois o circo continua o mesmo...
Até a próxima!

Bibliografia:



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