quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Segurança Pública, um ponto a ser melhorado no Brasil, mas como?


A questão da Segurança Pública, ou a falta dela, é amplamente debatida em nosso país, mas o que fazer para melhorá-la?


A Segurança Pública em nosso país é uma questão, além de abrasiva, muito complexa, às vezes até controversa. Força Pública, Polícias Federal, Militar, Civil, Guarda Metropolitana, entre outras, enfim, são muitas divisões, várias forças trabalhando em muitos casos separadamente. Mas, neste artigo, este não é o objetivo, o foco deste texto é apresentar duas vertentes, a falta de investimento nesta área pelo governo federal, a qual foi uma de suas grandes plataformas nas eleições de 2018 para que o atual presidente Jair Bolsonaro (PSL) fosse eleito e, por outro lado, mesmo sem investimentos, a queda nos índices de criminalidade, como isso aconteceu?
Primeiramente, vamos destacar a questão do investimento em Segurança Pública. Em 2019, foram previstos, de acordo com o Fundo Nacional de Segurança Pública, que é de responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública, sob o comando do ex-juiz Sérgio Moro, R$ 1,7 bilhão, no entanto, até o dia 13 de agosto de 2019, conforme dados do orçamento do Ministério do Planejamento, foram liquidados R$ 113,8 milhões. Isso quer dizer que ocorreram pagamentos nesta monta, recursos destinados a este fim, à Segurança Pública. Estes valores representam 6,5% do total previsto até o momento. Existem ainda recursos empenhados (recursos previstos que ainda podem ser cancelados) que estão destinados ao Fundo, totalizando R$ 232,7 milhões, 13% do total destinado a Segurança Pública. O Fundo, em 2019, desde sua criação no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, teve uma das maiores estimativas de alocação de recursos, mas, apesar do baixo investimento até o momento, este valor pode aumentar até o final do ano, pois o recurso está previsto em orçamento, entretanto, é um dos valores mais baixos investidos em Segurança Pública já registrados desde sua criação. Em 2007, foi a maior alocação de recursos em um único ano, mais de R$ 1,8 bilhão.
Nosso segundo ponto de destaque é a queda nos índices de violência que, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, desde 2015, foi desenvolvido um painel com estatísticas nacionais sobre violência chamado de Incidência Criminal Brasil, onde podem ser comparados tipos de crimes, tanto no país como por estados, por período, por sexo, são vários os comparativos possíveis e, analisando estes dados e comparando-os com 2018 (lembrando que até o momento em que escrevi este artigo, os dados do site somente contemplavam informações de janeiro a abril de 2019), os índices de criminalidade no Brasil caíram em todos os levantamentos de janeiro a abril/2019 em relação a janeiro a abril/2018. Em matéria publicada no site UOL em 15/06/2019 (https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/06/15/por-que-o-numero-de-homicidios-caiu-no-brasil-quatro-especialistas-opinam.htm) especialistas afirmam que esta queda nada tem a ver com ações ou medidas do governo federal, o que concordo, até por isso menciono este item como segundo ponto do artigo, pois, se houve queda nos investimentos, a proposta do governo federal de facilitar o porte e a posse de armas e o pacote anticrimes que ainda não foram perpetrados, como pode haver redução na criminalidade? Para alguns especialistas, como Ivan Marques, diretor do Instituto Sou da Paz, a criação do Ministério da Segurança Pública (atualmente incorporada ao Ministério da Justiça pelo atual presidente Jair Bolsonaro) pelo ex-presidente Michel Temer em fevereiro de 2018, que promoveu a integração dos governos estaduais e federal no combate ao crime, cita que:
"Pela primeira vez na história do país, houve a criação de uma política federal e de coordenação de segurança pública. Foi a primeira vez que esse tema foi considerado responsabilidade da União, dos estados e dos municípios. Em 10 meses de vida, o ministério da Segurança Pública avançou o que o país não conseguiu avançar em 30 anos”.
Diante destes fatos, destes dados, porque continuamos a ter a mesma (ou pior) sensação de que nada mudou em relação a Segurança Pública? Como já disse em outros artigos, não defendo este ou aquele político, partido ou pessoa, defendo uma política pública justa, uma gestão eficiente, um país melhor para todos nós.
Até a próxima!



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