Massa de manobra? Aumentar e
incentivar o analfabetismo? Criar “robôs” que simplesmente sigam suas ordens?
Quando perceberão que a educação é algo primordial na vida de um cidadão e do
país?
Começo este artigo de uma maneira
menos usual. Entendo que escrever um artigo de opinião, por mais isento que seu
articulista busque ser, como o próprio nome diz, retrata a opinião do seu
autor. Entretanto, sempre procuro manter o princípio da isonomia, o qual todos
são tratados de forma e maneira igual, independente de classe, raça, etnia,
credo, ideologia, ou seja, busco manter uma posição isenta, sem demonstrar
simpatia por “A” ou “B”, e continuarei sendo, meu único objetivo é apresentar
fatos ocorridos dentro da gestão pública, opinar e tentar demonstrar possíveis
variáveis e sugestões que, no meu singelo ponto de vista, possam agregar algum
conhecimento nesta área para quem tiver acesso a estes artigos. Mas, qual o
intuito de discorrer sobre isso? A Educação em nosso país, que cada vez mais
parece percorrer “rio” abaixo (desculpem o trocadilho).
O ponto a ser arrazoado, o qual
explica sobre o trocadilho, trata-se do Deputado Estadual do “Rio” de Janeiro,
Alexandre Knoploch – PSL, o qual protocolou no último dia 25/09 um projeto de
Lei que obriga, isso mesmo, que
obriga os professores, tanto da rede pública quanto da rede privada, a
cada três meses se submeterem a exames toxicológicos para substâncias
psicoativas ilícitas que causem dependência ou, comprovadamente, comprometam a
capacidade intelectual e de raciocínio. O projeto ainda diz que a Secretaria da
Educação deve tornar público o resultado deste exame quando positivo. Existem
mais uma série de quesitos mencionados no projeto que, estarrecido, me recuso a
citar. Ao invés de postularem projetos de Lei que, por exemplo, forneçam
melhores escolas aos alunos, mais segurança (de maneira nenhuma nos referindo
ao caso da pequena Ágatha assassinada recentemente neste mesmo Rio de Janeiro),
que melhorem as condições de trabalho dos professores, que melhorem os salários
dos professores, ainda mais neste estado, onde os professores recebem o 5º pior
salário do Brasil, conforme ranking publicado pelas Secretarias Estaduais de
Educação em abril deste ano (https://infograficos.gazetadopovo.com.br/educacao/piso-salarial-professor-no-brasil/),
o nobre deputado está preocupado com exame toxicológico? Depois que publicam
notícias evidenciando que o partido supracitado “persegue” a categoria dos
professores, dizem ainda que estão difamando a legenda. Para exemplificar esta
questão da Educação, citarei, rapidamente, as ações e funcionamento da Educação
nos quatro países que, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas
para a Educação, Ciência e Cultura), são os países com os sistemas educacionais
mais exemplares do mundo, apesar de, conforme a própria UNESCO, não existir um
sistema perfeito, mas estes são os que mais se aproximam disso.
Japão –
Busca desenvolver o caráter antes do conhecimento, desenvolver o cidadão. Os
primeiros anos da criança na escola buscam desenvolver o respeito pelo próximo
e introduzir os conceitos de “certo e errado”, de justiça e autocontrole.
Finlândia –
Um dos pontos deste sucesso é a introdução do conceito Mindset, (tradução literal – configuração da mente) onde o Menos é
Mais, o qual apresenta que os professores trabalham cerca de 600 horas anuais
em sala de aula com os alunos (cerca de 3 horas diárias), metade do que países
como os Estados Unidos fazem e como alguns estados brasileiros planejam fazer a
partir do ano vem sem ter a menor estrutura pública para isso, ou seja, Menos é
Mais. Quantidade de horas em sala não traduz resultados. O restante das
horas/aula é utilizado em atividades fora da sala para, além de diminuir o
sedentarismo, aumentar o conhecimento das crianças com o mundo que existe ao
seu redor.
Singapura –
Outro país do continente asiático no ranking, mas que seu foco é a tecnologia.
Um dos melhores resultados do mundo em conclusão do período escolar está aqui.
O governo aposta no conhecimento tecnológico como arma do conhecimento,
principalmente para estudantes com menor poder aquisitivo, investindo em
internet de alta velocidade, computadores e livros digitais. Outro ponto
investido foi nas habilidades emocionais, focando no desenvolvimento das
crianças, buscando trazer resiliência aos baixinhos.
Alemanha –
Além de todo o investimento financeiro que a Alemanha realiza (em maio/2019, a
ministra da educação alemã Anja Karliczek anunciou investimentos em sua pasta de
€ 160 bilhões para os próximos anos, até 2030), o foco principal é a não
segregação dos alunos no que diz respeito ao conhecimento. Os alunos não são
separados por seu nível de informação, muito pelo contrário, acredita-se que
sempre uns ajudam aos outros, não só nas atividades curriculares, mas
principalmente no que diz respeito a vida em sociedade.
Enfim, quando nossos governantes,
nossos líderes e gestores públicos entenderão que Educação é uma peça chave na
engrenagem de um país? Sabemos que não basta investir somente em educação,
existem outras vertentes tão importantes quanto, contudo, será que é
interessante aos líderes públicos de nossa nação que o Brasil se desenvolva?
Será que é interessante que nosso país deixe de ocupar este posto de
“subdesenvolvido”? Sinceramente, acredito que não, infelizmente.
Até a próxima!

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