quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Qual(is) o(s) interesse(s) dos governantes em desestimular a Educação no Brasil?


Massa de manobra? Aumentar e incentivar o analfabetismo? Criar “robôs” que simplesmente sigam suas ordens? Quando perceberão que a educação é algo primordial na vida de um cidadão e do país?


Começo este artigo de uma maneira menos usual. Entendo que escrever um artigo de opinião, por mais isento que seu articulista busque ser, como o próprio nome diz, retrata a opinião do seu autor. Entretanto, sempre procuro manter o princípio da isonomia, o qual todos são tratados de forma e maneira igual, independente de classe, raça, etnia, credo, ideologia, ou seja, busco manter uma posição isenta, sem demonstrar simpatia por “A” ou “B”, e continuarei sendo, meu único objetivo é apresentar fatos ocorridos dentro da gestão pública, opinar e tentar demonstrar possíveis variáveis e sugestões que, no meu singelo ponto de vista, possam agregar algum conhecimento nesta área para quem tiver acesso a estes artigos. Mas, qual o intuito de discorrer sobre isso? A Educação em nosso país, que cada vez mais parece percorrer “rio” abaixo (desculpem o trocadilho).
O ponto a ser arrazoado, o qual explica sobre o trocadilho, trata-se do Deputado Estadual do “Rio” de Janeiro, Alexandre Knoploch – PSL, o qual protocolou no último dia 25/09 um projeto de Lei que obriga, isso mesmo, que obriga os professores, tanto da rede pública quanto da rede privada, a cada três meses se submeterem a exames toxicológicos para substâncias psicoativas ilícitas que causem dependência ou, comprovadamente, comprometam a capacidade intelectual e de raciocínio. O projeto ainda diz que a Secretaria da Educação deve tornar público o resultado deste exame quando positivo. Existem mais uma série de quesitos mencionados no projeto que, estarrecido, me recuso a citar. Ao invés de postularem projetos de Lei que, por exemplo, forneçam melhores escolas aos alunos, mais segurança (de maneira nenhuma nos referindo ao caso da pequena Ágatha assassinada recentemente neste mesmo Rio de Janeiro), que melhorem as condições de trabalho dos professores, que melhorem os salários dos professores, ainda mais neste estado, onde os professores recebem o 5º pior salário do Brasil, conforme ranking publicado pelas Secretarias Estaduais de Educação em abril deste ano (https://infograficos.gazetadopovo.com.br/educacao/piso-salarial-professor-no-brasil/), o nobre deputado está preocupado com exame toxicológico? Depois que publicam notícias evidenciando que o partido supracitado “persegue” a categoria dos professores, dizem ainda que estão difamando a legenda. Para exemplificar esta questão da Educação, citarei, rapidamente, as ações e funcionamento da Educação nos quatro países que, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), são os países com os sistemas educacionais mais exemplares do mundo, apesar de, conforme a própria UNESCO, não existir um sistema perfeito, mas estes são os que mais se aproximam disso.
Japão – Busca desenvolver o caráter antes do conhecimento, desenvolver o cidadão. Os primeiros anos da criança na escola buscam desenvolver o respeito pelo próximo e introduzir os conceitos de “certo e errado”, de justiça e autocontrole.
Finlândia – Um dos pontos deste sucesso é a introdução do conceito Mindset, (tradução literal – configuração da mente) onde o Menos é Mais, o qual apresenta que os professores trabalham cerca de 600 horas anuais em sala de aula com os alunos (cerca de 3 horas diárias), metade do que países como os Estados Unidos fazem e como alguns estados brasileiros planejam fazer a partir do ano vem sem ter a menor estrutura pública para isso, ou seja, Menos é Mais. Quantidade de horas em sala não traduz resultados. O restante das horas/aula é utilizado em atividades fora da sala para, além de diminuir o sedentarismo, aumentar o conhecimento das crianças com o mundo que existe ao seu redor.
Singapura – Outro país do continente asiático no ranking, mas que seu foco é a tecnologia. Um dos melhores resultados do mundo em conclusão do período escolar está aqui. O governo aposta no conhecimento tecnológico como arma do conhecimento, principalmente para estudantes com menor poder aquisitivo, investindo em internet de alta velocidade, computadores e livros digitais. Outro ponto investido foi nas habilidades emocionais, focando no desenvolvimento das crianças, buscando trazer resiliência aos baixinhos.
Alemanha – Além de todo o investimento financeiro que a Alemanha realiza (em maio/2019, a ministra da educação alemã Anja Karliczek anunciou investimentos em sua pasta de € 160 bilhões para os próximos anos, até 2030), o foco principal é a não segregação dos alunos no que diz respeito ao conhecimento. Os alunos não são separados por seu nível de informação, muito pelo contrário, acredita-se que sempre uns ajudam aos outros, não só nas atividades curriculares, mas principalmente no que diz respeito a vida em sociedade.
Enfim, quando nossos governantes, nossos líderes e gestores públicos entenderão que Educação é uma peça chave na engrenagem de um país? Sabemos que não basta investir somente em educação, existem outras vertentes tão importantes quanto, contudo, será que é interessante aos líderes públicos de nossa nação que o Brasil se desenvolva? Será que é interessante que nosso país deixe de ocupar este posto de “subdesenvolvido”? Sinceramente, acredito que não, infelizmente.
Até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário