Neste segundo capítulo,
exemplificaremos a Gestão pelo Entusiasmo. O que vem a ser? Nunca ouviu falar? Esta
nomenclatura pode não ser muito utilizada, mas, aparentemente, está ocorrendo
com muita frequência e sendo muito difundida no setor público...
Neste novo
capítulo da nossa série: Tipos de Gestão Pública, debateremos sobre uma prática
que (felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista de cada um) acontece
mais do que possamos imaginar, talvez pelo título que estamos adotando, poucos
tenho ouvido a cerca de, entretanto, é uma situação até que corriqueira, a
Gestão pelo Entusiasmo.
O que vem a
ser este tipo de Gestão? Adotamos esta nomenclatura porque esta é a verdadeira
conjuntura, Entusiasmo.
A palavra
entusiasmo, no dicionário, significa um estado de grande arrebatamento e
alegria. A origem da palavra vem do grego “en-theos-asm” (sopro de Deus dentro)
e, como diz Marco Fabossi (sócio-diretor da empresa Crescimentum), em seu blog:
“o sucesso e o êxito estão, na maioria das vezes, mais relacionados ao
entusiasmo das pessoas que à sua capacitação técnica ou à abundância de recursos.”
No meu
entendimento, perfeita definição, mas gerir uma instituição com mais entusiasmo
do que capacitação funciona? E com falta de recursos? Muitas vezes, o
entusiasmo não só ajuda como motiva todos que estão ao redor daquele líder (uma
liderança e não um chefe, como tratamos em outros artigos), pois é contagiante
a vontade, as boas perspectivas, a esperança na resolução de uma questão, entre
outros. Contudo, somente entusiasmo basta? Em diversos setores onde desempenhar
uma função ou tarefa dependa mais da força de vencer, atingir suas metas e
objetivos, talvez, como em uma partida de futebol, como Fabossi trata no artigo
mencionado, mas em gestão, o líder também precisa ser habilitado, ter condições
técnicas para, além de ocupar tal função, desempenhá-la. No setor público,
principalmente no início das gestões, há muita empolgação, o nosso famoso
“entusiasmo”, mas capacidade técnica, conhecimento, especialização no tema,
passa longe deste gestor em grande parte das vezes, então aí começa a Gestão pelo
Entusiasmo. No começo, em alguns casos, é até fascinante ver esta vontade, esta
gana em desempenhar a devida função, em resolver questões, apontar soluções,
porém, na maioria das vezes, com a falta de habilidades para o cargo, a
escassez de recursos que, muitas vezes é grande e bem comum, este entusiasmo,
que no começo era empolgante, contagiante, passa a apresentar o mesmo efeito,
infelizmente, totalmente contrário, tornando-se igualmente contagiante,
igualmente arrebatador, contudo negativamente. As pessoas ao redor deste gestor
tendem a se sentir desmotivadas, desanimadas e até desrespeitadas, pois o
ambiente vai tornando-se degradado, pesado, muitas vezes insustentável, por
estes motivos e questões que, avaliando por este prisma, consideramos uma gestão
desta maneira, sem capacidade ou a devida competência, totalmente inapropriada.
Não estou
afirmando que não devemos ter entusiasmo, muito pelo contrário, este sentimento
ajuda a reger, comandar nossas vidas, seja no âmbito pessoal como profissional,
mas nunca devemos deixar que este sentimento, domine 100% de nossas ações, tudo
que fazemos em nossas vidas precisa estar embasado, não podemos querer pilotar
uma Ferrari, sendo que não sabemos dirigir um fusca, claro que podemos (e
devemos) sonhar, nossos objetivos são atingidos porque são motivados por nossos
sonhos, mas parte disto somente será realizado se, como no exemplo, aprendermos
a dirigir o fusca...
Até o próximo
capítulo!

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