quarta-feira, 9 de outubro de 2019

SÉRIE: TIPOS DE GESTÃO DE PÚBLICA – Art. II: Gestão pelo Entusiasmo


Neste segundo capítulo, exemplificaremos a Gestão pelo Entusiasmo. O que vem a ser? Nunca ouviu falar? Esta nomenclatura pode não ser muito utilizada, mas, aparentemente, está ocorrendo com muita frequência e sendo muito difundida no setor público...


Neste novo capítulo da nossa série: Tipos de Gestão Pública, debateremos sobre uma prática que (felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista de cada um) acontece mais do que possamos imaginar, talvez pelo título que estamos adotando, poucos tenho ouvido a cerca de, entretanto, é uma situação até que corriqueira, a Gestão pelo Entusiasmo.

O que vem a ser este tipo de Gestão? Adotamos esta nomenclatura porque esta é a verdadeira conjuntura, Entusiasmo.

A palavra entusiasmo, no dicionário, significa um estado de grande arrebatamento e alegria. A origem da palavra vem do grego “en-theos-asm” (sopro de Deus dentro) e, como diz Marco Fabossi (sócio-diretor da empresa Crescimentum), em seu blog: “o sucesso e o êxito estão, na maioria das vezes, mais relacionados ao entusiasmo das pessoas que à sua capacitação técnica ou à abundância de recursos.”

No meu entendimento, perfeita definição, mas gerir uma instituição com mais entusiasmo do que capacitação funciona? E com falta de recursos? Muitas vezes, o entusiasmo não só ajuda como motiva todos que estão ao redor daquele líder (uma liderança e não um chefe, como tratamos em outros artigos), pois é contagiante a vontade, as boas perspectivas, a esperança na resolução de uma questão, entre outros. Contudo, somente entusiasmo basta? Em diversos setores onde desempenhar uma função ou tarefa dependa mais da força de vencer, atingir suas metas e objetivos, talvez, como em uma partida de futebol, como Fabossi trata no artigo mencionado, mas em gestão, o líder também precisa ser habilitado, ter condições técnicas para, além de ocupar tal função, desempenhá-la. No setor público, principalmente no início das gestões, há muita empolgação, o nosso famoso “entusiasmo”, mas capacidade técnica, conhecimento, especialização no tema, passa longe deste gestor em grande parte das vezes, então aí começa a Gestão pelo Entusiasmo. No começo, em alguns casos, é até fascinante ver esta vontade, esta gana em desempenhar a devida função, em resolver questões, apontar soluções, porém, na maioria das vezes, com a falta de habilidades para o cargo, a escassez de recursos que, muitas vezes é grande e bem comum, este entusiasmo, que no começo era empolgante, contagiante, passa a apresentar o mesmo efeito, infelizmente, totalmente contrário, tornando-se igualmente contagiante, igualmente arrebatador, contudo negativamente. As pessoas ao redor deste gestor tendem a se sentir desmotivadas, desanimadas e até desrespeitadas, pois o ambiente vai tornando-se degradado, pesado, muitas vezes insustentável, por estes motivos e questões que, avaliando por este prisma, consideramos uma gestão desta maneira, sem capacidade ou a devida competência, totalmente inapropriada.

Não estou afirmando que não devemos ter entusiasmo, muito pelo contrário, este sentimento ajuda a reger, comandar nossas vidas, seja no âmbito pessoal como profissional, mas nunca devemos deixar que este sentimento, domine 100% de nossas ações, tudo que fazemos em nossas vidas precisa estar embasado, não podemos querer pilotar uma Ferrari, sendo que não sabemos dirigir um fusca, claro que podemos (e devemos) sonhar, nossos objetivos são atingidos porque são motivados por nossos sonhos, mas parte disto somente será realizado se, como no exemplo, aprendermos a dirigir o fusca...

Até o próximo capítulo!

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