Por que, no
setor público, ainda pouco se fala sobre Liderança?
Liderança,
um tema totalmente em voga, super comentado e estudado em vários âmbitos, nas
universidades, nas empresas privadas, seja de grande porte até as
microempresas, nas rodas de amigos se fala em liderança, da empresa onde
trabalha até de algum comentário que se ouviu no transporte público, no café da
padaria, em qualquer lugar, entretanto no serviço público, por que é tão pouco
difundido este tema?
Mal
existem trabalhos falando sobre liderança na gestão pública, acredito também
até porque seja um tema razoavelmente recente no Brasil. Começou-se a falar em
Liderança na administração do setor público no início da década de 90 com o
ex-ministro da fazenda (durante o governo do ex-presidente José Sarney) e
ex-ministro da Administração e Reforma do Estado (durante o governo do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso), Luiz Carlos Bresser-Pereira, que,
aliás, através deste último cargo que se iniciou esta transformação na gestão
pública. O Ministério da Administração e Reforma do Estado tinha como objetivo
central, nas próprias palavras do ex-ministro “contribuir para a formação no
Brasil de um aparelho de Estado forte e eficiente”. Esta reforma estava pautada
em três princípios, conforme Bresser-Pereira apresenta em seu site:
a) uma dimensão institucional-legal, voltada à descentralização da
estrutura organizacional do aparelho do Estado através da criação de novos
formatos organizacionais, como as agências executivas, regulatórias, e as
organizações sociais; b) uma dimensão gestão, definida pela maior autonomia e a
introdução de três novas formas de responsabilização dos gestores – a
administração por resultados, a competição administrada por excelência, e o
controle social – em substituição parcial dos regulamentos rígidos, da
supervisão e da auditoria, que caracterizam a administração burocrática; e c)
uma dimensão cultural, de mudança de mentalidade, visando passar da
desconfiança generalizada que caracteriza a administração burocrática para uma
confiança maior, ainda que limitada, própria da administração gerencial.
Para a
gestão pública, foi uma revolução, entretanto, são objetivos um tanto quanto
comuns ao mundo corporativo, administração por resultados, formatos
organizacionais, Liderança, Gestão. Com isso já se vão pouco mais de 20 anos.
Muitas coisas melhoraram, como até já citei em outros artigos, a criação das
Organizações Sociais (OS’s), Agências Regulatórias (ANEEL, ANTT, etc), as PPP’s
(Parcerias Público-Privada), mas parece que ainda está faltando alguma coisa...
Ainda se
vê em algumas instituições públicas “O Chefe”, a figura do tecnocrata, que não
leva em consideração o lado humano, o aspecto social, só analisa o problema de
forma fria, buscando uma solução técnica e prática e que muitas vezes nem isso
consegue, ele seque ouve seus colaboradores e parceiros, simplesmente ele é o
chefe, afinal, ele não erra, ele, quando muito, se engana.
Ainda nos
dias atuais, em pleno século XXI, é o que falta em nossa cultura, o Líder na
Gestão Pública, o Líder na resolução de problemas e situações, visando o
contexto, o cliente, a pessoa, buscando alternativas, com ética e
transparência, não um chefe, este profissional precisa ser “O Líder”, o Gestor,
o Administrador, que luta por ideais, que almeja um país melhor, que sonha com
um futuro, enfim, um cidadão brasileiro, que não desiste nunca!
Até a
próxima.

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