quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Reforma Tributária e Economia Pública, porque sempre a população e/ou o micro/pequeno empresário são os mais prejudicados?


Que o nosso país necessita urgentemente de reformas administrativas, tributárias, entre outras, é fato, mas porque os mais afetados são sempre os mais desfavorecidos?


Que o Brasil carece de reformas (creio que em todos os sentidos, administrativa, tributária, política, de imagem, etc, etc, etc.), todos entendem, todos sabem, todos concordam. Acredito que qualquer pessoa nesta nação que leia um jornal, que acesse a internet, que assista a um telejornal, concorda que mudanças são extremamente urgentes, aliás, claramente, já deveriam estar ocorrendo e, principalmente, mudanças na área tributária. O melhor, assim esperamos que seja, é que muito em breve, o governo federal deve apresentar um projeto de Reforma Tributária. A seguir, baseado no que já foi adiantado pelo Ministério da Economia e Receita Federal, vamos relatar e debater alguns pontos deste futuro projeto.
O projeto contempla alguns pontos como Fusão de impostos, criação e aumento de outros (justificando redução na cota patronal para geração de empregos), alterações no IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física), entre outras mudanças, as quais comentaremos e ponderaremos a seguir.
ITF (Imposto sobre Transações Financeiras) è Este seria o principal ponto (e mais polêmico) do projeto. Tem pontos positivos como a contribuição recolhida que é enviada direto aos cofres públicos e tributará a informalidade, pois todos de uma forma ou de outra utilizam os serviços bancários. Os pontos negativos, sobretudo, é a possibilidade de crescerem as atividades em espécie, ou seja, fora do sistema bancário, a tributação cumulativa, efeito esse que deveria ser corrigido, mas continuaria a existir e, na minha visão, o pior de todos os problemas, transparência zero, não haveria possibilidade de fiscalizar ou saber o quanto o governo arrecadaria com esta tributação. Este novo imposto, o qual o Governo Federal tem repulsa ao se comparar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) extinta em 2008, mas infelizmente, temos que fazê-lo, pois como funcionara este suposto novo tributo? Para saques e depósitos em dinheiro, 0,4% e nas operações de débito e crédito, tanto para quem paga quanto para quem recebe, 0,2% para cada um dos lados, exemplificando, se uma pessoa sacar R$ 1.000,00, será retirado de sua conta corrente, além dos R$ 1.000,00, mais R$ 4,00. Nas operações de compra com cartão de débito e/ou crédito, se for realizada uma compra de R$ 1.000,00, para quem comprou o valor será de R$ 1.002,00 (R$ 1.000,00 pela compra e R$ 2,00 pelo imposto) e para quem vendeu restam R$ 998,00 (R$ 1.000,00 pela venda, menos R$ 2,00 pelo imposto), fora as taxas das empresas de cartão de crédito/débito, locadoras e/ou vendedoras das máquinas, taxas bancárias, etc. Muitos devem estar pensando, R$ 2,00, R$ 4,00, não é nada, ou pouca coisa para ajudarmos nosso país a crescer, a se desenvolver, porém isso pode desencadear uma grande bola de neve, efeitos exorbitantes, as administradoras de cartão aumentariam suas taxas, as empresas das máquinas também, o comércio seus valores, resultando em aumento ao consumidor final, inflação, novos pacotes econômicos, ou seja, os maiores prejudicados, NÓS, A POPULAÇÃO.
Mas não vamos ser pessimistas. Há pontos valiosos na proposta como as alterações no IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) com o objetivo de tributar os mais ricos (finalmente enxergou-se que ganha mais deve pagar mais, parece óbvio, mas...). Até citei em outro artigo que publiquei anteriormente sobre a Reforma da Previdência, o qual menciono que ao invés de se reinventar a roda, criando-se diversos mecanismos, maneiras, formas e regras para a nova Previdência, podia-se simplesmente alterar a tabela de tributação, onde quem ganha mais, paga mais, não requer muita prática, nem tão pouco habilidade para se pensar nisso....
Outro ponto a ser observado neste projeto é a Fusão de Impostos. A proposta que deve ser apresentada, inicialmente, exibirá a criação da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços que unificaria o PIS e a COFINS com uma alíquota única de 11%. Mais um abuso! Atualmente, a alíquota do PIS de maior impacto para empresas que atuam com o formato de apuração de Lucro Real (regras contábeis), por exemplo, é de 1,65% e a COFINS é de 7,6%, somando-se os dois impostos o resultado é de 9,25%, aumento de 16% na tributação das empresas. Se objetivo com a criação do ITF é desonerar o custo sobre a folha de pagamento das empresas em 7% (equivalente ao recolhimento mensal do FGTS) objetivando a geração de empregos, como podem onerar as empresas em 16% a mais no PIS e COFINS? Nossos governantes deveriam ser um pouco mais capacitados em gestão, administração e políticas públicas, não basta nomearem profissionais altamente gabaritados em suas áreas se não há conhecimento, experiência, expertise na área pública, isso não pode ser encarado como um desafio, um ganho de conhecimento, o profissional já precisa ter este conhecimento, pelo menos teórico, afinal ele está trabalhando com os nossos recursos, sejam financeiros, materiais, eles devem trabalhar com a sociedade, para a sociedade, em prol da sociedade, não a favor de sua ideologia, partido político ou para auferir ganhos pessoais e/ou profissionais. Enfim, como citado no título deste artigo, infelizmente, para tudo que se modifica neste país, somente a população, principalmente, os mais desfavorecidos, como sempre, são os que mais sofrem os reflexos.
Até a próxima!

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