terça-feira, 12 de novembro de 2019

Legislação, Constituição, quais são as diferenças entre um Projeto de Lei e uma PEC?


Com a promulgação e início da PEC da Previdência, porque não ser criada uma Lei ou invés de uma Emenda Constitucional?

Neste artigo, tentaremos esclarecer o que consideramos ser uma das dúvidas de boa parte da população brasileira, o que é uma PEC? O que é um Projeto de Lei? As diferenças entre eles, o que faz o governo decidir entre um ou outro, enfim, de uma maneira mais simples, mais objetiva, vamos elucidar estas questões.

Primeiramente, Constituição é um conjunto de normas que regem uma Nação e constituem competências e funções, determinando estrutura, poderes e direitos de um governo. Nossa Constituição foi promulgada em 05 de outubro de 1988 e foi apelidada de Constituição Cidadã por ter sido concebida após a redemocratização, com o fim do Regime Militar.
O que é uma PEC?
É uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) a qual objetiva modificar a constituição de um Estado (País) em questões pontuais permitidas, mutáveis. Contudo, determinadas matérias na Constituição Brasileira são restritas, são as chamadas Cláusulas Pétreas. Além do Brasil, são poucos os países que tem este tipo de restrição em suas constituições. São eles: República Tcheca, Alemanha, Turquia, Noruega, Itália, Irã e Marrocos. As Cláusulas Pétreas definidas em nossa Constituição estão dispostas no Artigo 60, § 4º, conforme demonstrado a seguir:
- A forma federativa do País (todos os estados federados à nação, que responde por todos internacionalmente);
- O voto direto, secreto, universal e periódico (o direito a voto de todos os cidadãos brasileiros);
- A separação dos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário (os três poderes, por mais que briguem e discutam entre si, só funcionam interligados);
- Os direitos e garantias individuais (direito a vida, por exemplo).
Existem outros pontos que também não podem ser emendados por serem interligados aos acima mencionados.
Para tramitar uma PEC, é necessário que seja apresentada pelo Presidente da República, por no mínimo um terço da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal ou por mais da metade das Assembleias Legislativas dos Estados, onde nestas Assembleias a aprovação deve ter ocorrida por maioria relativa de seus membros. Após a apresentação da PEC, ela é encaminha à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise e em concordância com a Constituição. Em seguida é enviada à Câmara dos Deputados. Na Câmara, após apreciações, será submetida à votação em 1º e 2º turnos, tendo, no mínimo, 3/5 dos votos (308 deputados), é considerada aprovada e, consequentemente, será enviada ao Senado Federal, será submetida à votação em 1º e 2º turnos, tendo, no mínimo, 3/5 dos votos (49 senadores) que passará pelo mesmo processo, sendo aprovada, segue para promulgação do Presidente da República, havendo alguma modificação, o processo se reinicia.
O que é um PL?
É um Projeto de Lei (PL) objetiva criar ou alterar uma lei já existente no país. É um processo muito mais simples que a PEC, pode ser apresentado por Deputados, Senadores, Comissões do Congresso, Poder Executivo (Presidente e Ministros), Poder Judiciário, Procuradoria da República e até pela Iniciativa Popular. A Lei Maria da Penha surgiram pela Iniciativa Popular. O Projeto de Lei é enviado a Câmara para análise, aprovado com alterações ou não, é enviado ao Senado, aprovado com alterações ou não é enviado ao Presidente da República, que analisará o texto, ele pode vetar o Projeto de Lei, sugerir alterações, fazê-las, ou sancionar o Projeto.
Agora, se na teoria o Projeto de Lei é mais simples, porque então fazer uma PEC para alguns temas e para outros não? Em alguns assuntos, como a Previdência, é obrigatório que seja criada uma PEC, pois as regras de aposentadoria são regidas pela Constituição Federal, estão nos artigos da Constituição, por isso a necessidade da PEC para a reforma da Previdência.
Espero ter ajudado a esclarecer alguns pontos e dúvidas sobre o tema.
Até a próxima!

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Somos todos corruptos? Afinal, o que é Corrupção?


Onde, ultimamente, só se fala de Lava-Jato, Lava-Toga, julgamentos em 2ª instância (claro, depois da Reforma da Previdência), o que é corrupção?



Continuando o objetivo de nosso Blog, o qual é entendermos e conhecermos mais profundamente sobre gestão e administração pública, seus meandres e tudo que envolve “a mitologia” pública, hoje vamos falar sobre Corrupção. De com o Dicionário Michaelis® da Língua Portuguesa, a palavra corrupção tem como significado:
- Ato ou resultado de corromper; corrompimento;
- Degradação de valores morais ou dos costumes; devassidão;
            - Ato ou efeito de subornar alguém para vantagens pessoais ou de terceiros; e,
         - Uso de meios ilícitos, por parte de pessoas do serviço público, para obtenção de informações sigilosas, a fim de conseguir benefícios para si ou para outrem.  
Infelizmente, como podemos perceber, no próprio dicionário Michaelis® da Língua Portuguesa na definição da palavra, já se fala do serviço público. Isso que é descrédito! Mas, continuemos.
Todos nós (me incluo nisso), falamos sobre corrupção do universo político em nosso país então, vamos entender melhor o que é a corrupção. De acordo com o Direito Penal, a corrupção apresenta características e particularidades específicas apresentadas e exemplificadas abaixo:
Peculato – Artigo 312 do Código Penal (pena: reclusão de dois a doze anos e multa)
O crime de Peculato se apresenta no Código Penal de duas maneiras, o Peculato – Apropriação, que é o fato de apropriar-se, tomar como propriedade sua, dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que o funcionário público tem a posse em razão do seu cargo. A segunda maneira é o Peculato – Desvio, que é o fato de desviar em utilidade própria ou alheia, no sentido de alterar o destino ou desencaminhar alguma coisa. Exemplificando, o funcionário de uma repartição pública tem sob sua guarda o celular dos outros servidores e se apropria de um ou mais aparelhos.
Concussão – Artigo 316 do Código Penal (pena: reclusão de dois a oito anos e multa)
Concussão é um crime menos comum e menos falado, semelhante e até mais grave que a Corrupção Passiva (que exemplificaremos mais adiante), entretanto com pena menor. Traduzindo, Concussão é o ato de exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. A diferença da Concussão para a Corrupção Passiva está na execução, no constrangimento à vítima. Podemos utilizar como exemplo o filme “Tropa de Elite 2”, onde um dos policiais diz a outro que, para ele conseguir data para suas férias em família, se ele “quer rir, tem que fazer rir”, mostrando uma gaveta com dinheiro e na frente de outro colega policial, além de solicitar o suborno, está constrangendo-o.
Corrupção Passiva – Artigo 317 do Código Penal (pena: reclusão de dois a doze anos e multa)
A corrupção passiva está caracterizada quando o funcionário público solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. Como exemplo básico, um guarda de trânsito que, para não multar um infrator, solicita “propina” para não lavrar a multa.
Prevaricação – Artigo 319 do Código Penal (pena: detenção de três a doze meses e multa)
A prevaricação, conforme o Código Penal, é o ato de atrasar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Para exemplificar, seria quando um funcionário público deixa de adotar uma providência para beneficiar um superior hierárquico, um colega de trabalho, mesmo tendo ou não vantagens sobre isso.
Corrupção Ativa – Artigo 333 do Código Penal (pena: reclusão de dois a doze anos e multa)
A corrupção ativa está caracterizada quando se oferece ou promete vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou seja, para incentivá-lo a praticar ato corrupto. Como exemplo disso para facilitar o entendimento de todos, para não lavrar uma multa de trânsito, o próprio condutor do veículo oferece propina ao guarda, exatamente o contrário da Corrupção Passiva.
Para finalizarmos (e refletirmos um pouco sobre isso), corrupção existe e acontece, não somente no Brasil, mas pode ocorrer em qualquer lugar do mundo, contudo vamos convir que em nosso país o fato é um tanto quanto exagerado. Com isso, será que todos somos corruptos? Será que isso é uma coisa que aprendemos desde a mais tenra infância? A corrupção está arraigada dentro de nós brasileiros? Menciono este fato pois, para defendermos um país honesto, livre de roubalheiras, também temos que ser honestos, nos mais simples detalhe como num supermercado que o caixa pode nos passar o troco erroneamente e no mesmo instante devolvermos, se um cidadão esquecer sua carteira na mesa do restaurante, avisá-lo rapidamente, entre outras coisas. Como citei neste mesmo artigo o filme Tropa de Elite 2, cito outro trecho que não me lembro exatamente como foi dito mas, será se não vale a pena ser honesto no Brasil? 
Até a próxima!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Como é a Gestão Pública


A Gestão Pública em nosso país muitas vezes é eficaz, eficiente e vale a pena, apesar de não parecer.

Neste artigo, para inaugurar este Blog, (que já tem vários artigos, pois eu os publicava em outra plataforma) gostaria de falar sobre Gestão Pública, o que é, como é, pontos interessantes, enfim, das principais necessidades e de sua importância em nossas vidas, tanto pessoal como profissionalmente.
Então adelante, o que é Gestão Pública?
São métodos e ações que buscam eficiência, efetividade e produtividade, na esfera pública, com auxílio de técnicas e orientações já utilizadas na gestão empresarial, ou seja, Governança Corporativa como base para se criar a Governança Pública. Para Matias-Pereira¹ (2008), uma boa Governança Pública, está apoiada em quatro princípios: Relações Éticas, Conformidade em todas as dimensões, Transparência e, principalmente, Prestação de contas responsáveis (accountability²).
Estas são as premissas para uma Gestão Pública adequada, mas isso acontece em nosso País? De acordo com o que estamos acompanhando na mídia atualmente, a sensação que temos é que isso não existe, que não acontece. Entretanto, não podemos generalizar. Quero deixar claro que não expresso minha opinião a favor deste ou daquele governo, nem contra ou favor de atos político-partidários, mas sim pela minha experiência na atuação em serviços públicos, em conhecimento adquirido referente a programas e serviços que realmente funcionam, trazendo eficiência e benefícios legítimos a população. Cito exemplos como o Poupatempo no Estado de São Paulo (inclusive este programa está servindo como base para outros programas semelhantes em outros estados pelo país) que abrange vários serviços de utilidade pública extremamente necessários em um único local, utilizando-se de tecnologias que beneficiam os usuários.
As OS’s (Organizações Sociais) e as OSCIP’s (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que, por meio das PPP’s (Parcerias Público Privada) atuam em algumas áreas do setor público nos agregando a experiência corporativa, gerindo os recursos públicos de maneira mais eficaz, com objetivos e metas previamente definidos. Mas estas ações são suficientes? Com certeza, não. É necessário o comprometimento não só de seus gestores, mas também de todos os envolvidos no processo, governo, empresas, colaboradores e inclusive nós, os usuários, fiscalizando e acompanhando sua gestão e funcionamento.
Sabemos dos grandes desafios que existem, as diferenças político-partidárias, a burocracia, a corrupção arraigada em nosso sistema, recursos escassos, entre outros, porém com vontade, determinação, gestão eficiente e, principalmente, inovação, todo e qualquer órgão público pode trazer maior produtividade e resolutividade a todos nós, cidadãos. Você não acha?
Até a próxima.
¹ MATIAS-PEREIRA, José. Curso de Administração Pública: foco nas instituições e ações governamentais. São Paulo. Atlas, 2008.
² Termo da língua inglesa, que não tem tradução literal para o português, mas pode-se traduzir como  o fato de prestar contas sobre o que faz, responsabilidade, ética perante aos órgãos representados.

Qual(is) o(s) interesse(s) dos governantes em desestimular a Educação no Brasil?


Massa de manobra? Aumentar e incentivar o analfabetismo? Criar “robôs” que simplesmente sigam suas ordens? Quando perceberão que a educação é algo primordial na vida de um cidadão e do país?


Começo este artigo de uma maneira menos usual. Entendo que escrever um artigo de opinião, por mais isento que seu articulista busque ser, como o próprio nome diz, retrata a opinião do seu autor. Entretanto, sempre procuro manter o princípio da isonomia, o qual todos são tratados de forma e maneira igual, independente de classe, raça, etnia, credo, ideologia, ou seja, busco manter uma posição isenta, sem demonstrar simpatia por “A” ou “B”, e continuarei sendo, meu único objetivo é apresentar fatos ocorridos dentro da gestão pública, opinar e tentar demonstrar possíveis variáveis e sugestões que, no meu singelo ponto de vista, possam agregar algum conhecimento nesta área para quem tiver acesso a estes artigos. Mas, qual o intuito de discorrer sobre isso? A Educação em nosso país, que cada vez mais parece percorrer “rio” abaixo (desculpem o trocadilho).
O ponto a ser arrazoado, o qual explica sobre o trocadilho, trata-se do Deputado Estadual do “Rio” de Janeiro, Alexandre Knoploch – PSL, o qual protocolou no último dia 25/09 um projeto de Lei que obriga, isso mesmo, que obriga os professores, tanto da rede pública quanto da rede privada, a cada três meses se submeterem a exames toxicológicos para substâncias psicoativas ilícitas que causem dependência ou, comprovadamente, comprometam a capacidade intelectual e de raciocínio. O projeto ainda diz que a Secretaria da Educação deve tornar público o resultado deste exame quando positivo. Existem mais uma série de quesitos mencionados no projeto que, estarrecido, me recuso a citar. Ao invés de postularem projetos de Lei que, por exemplo, forneçam melhores escolas aos alunos, mais segurança (de maneira nenhuma nos referindo ao caso da pequena Ágatha assassinada recentemente neste mesmo Rio de Janeiro), que melhorem as condições de trabalho dos professores, que melhorem os salários dos professores, ainda mais neste estado, onde os professores recebem o 5º pior salário do Brasil, conforme ranking publicado pelas Secretarias Estaduais de Educação em abril deste ano (https://infograficos.gazetadopovo.com.br/educacao/piso-salarial-professor-no-brasil/), o nobre deputado está preocupado com exame toxicológico? Depois que publicam notícias evidenciando que o partido supracitado “persegue” a categoria dos professores, dizem ainda que estão difamando a legenda. Para exemplificar esta questão da Educação, citarei, rapidamente, as ações e funcionamento da Educação nos quatro países que, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), são os países com os sistemas educacionais mais exemplares do mundo, apesar de, conforme a própria UNESCO, não existir um sistema perfeito, mas estes são os que mais se aproximam disso.
Japão – Busca desenvolver o caráter antes do conhecimento, desenvolver o cidadão. Os primeiros anos da criança na escola buscam desenvolver o respeito pelo próximo e introduzir os conceitos de “certo e errado”, de justiça e autocontrole.
Finlândia – Um dos pontos deste sucesso é a introdução do conceito Mindset, (tradução literal – configuração da mente) onde o Menos é Mais, o qual apresenta que os professores trabalham cerca de 600 horas anuais em sala de aula com os alunos (cerca de 3 horas diárias), metade do que países como os Estados Unidos fazem e como alguns estados brasileiros planejam fazer a partir do ano vem sem ter a menor estrutura pública para isso, ou seja, Menos é Mais. Quantidade de horas em sala não traduz resultados. O restante das horas/aula é utilizado em atividades fora da sala para, além de diminuir o sedentarismo, aumentar o conhecimento das crianças com o mundo que existe ao seu redor.
Singapura – Outro país do continente asiático no ranking, mas que seu foco é a tecnologia. Um dos melhores resultados do mundo em conclusão do período escolar está aqui. O governo aposta no conhecimento tecnológico como arma do conhecimento, principalmente para estudantes com menor poder aquisitivo, investindo em internet de alta velocidade, computadores e livros digitais. Outro ponto investido foi nas habilidades emocionais, focando no desenvolvimento das crianças, buscando trazer resiliência aos baixinhos.
Alemanha – Além de todo o investimento financeiro que a Alemanha realiza (em maio/2019, a ministra da educação alemã Anja Karliczek anunciou investimentos em sua pasta de € 160 bilhões para os próximos anos, até 2030), o foco principal é a não segregação dos alunos no que diz respeito ao conhecimento. Os alunos não são separados por seu nível de informação, muito pelo contrário, acredita-se que sempre uns ajudam aos outros, não só nas atividades curriculares, mas principalmente no que diz respeito a vida em sociedade.
Enfim, quando nossos governantes, nossos líderes e gestores públicos entenderão que Educação é uma peça chave na engrenagem de um país? Sabemos que não basta investir somente em educação, existem outras vertentes tão importantes quanto, contudo, será que é interessante aos líderes públicos de nossa nação que o Brasil se desenvolva? Será que é interessante que nosso país deixe de ocupar este posto de “subdesenvolvido”? Sinceramente, acredito que não, infelizmente.
Até a próxima!

Liderança e Gestão Pública, o que falta?


Por que, no setor público, ainda pouco se fala sobre Liderança?

Liderança, um tema totalmente em voga, super comentado e estudado em vários âmbitos, nas universidades, nas empresas privadas, seja de grande porte até as microempresas, nas rodas de amigos se fala em liderança, da empresa onde trabalha até de algum comentário que se ouviu no transporte público, no café da padaria, em qualquer lugar, entretanto no serviço público, por que é tão pouco difundido este tema?
Mal existem trabalhos falando sobre liderança na gestão pública, acredito também até porque seja um tema razoavelmente recente no Brasil. Começou-se a falar em Liderança na administração do setor público no início da década de 90 com o ex-ministro da fazenda (durante o governo do ex-presidente José Sarney) e ex-ministro da Administração e Reforma do Estado (durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso), Luiz Carlos Bresser-Pereira, que, aliás, através deste último cargo que se iniciou esta transformação na gestão pública. O Ministério da Administração e Reforma do Estado tinha como objetivo central, nas próprias palavras do ex-ministro “contribuir para a formação no Brasil de um aparelho de Estado forte e eficiente”. Esta reforma estava pautada em três princípios, conforme Bresser-Pereira apresenta em seu site:
a) uma dimensão institucional-legal, voltada à descentralização da estrutura organizacional do aparelho do Estado através da criação de novos formatos organizacionais, como as agências executivas, regulatórias, e as organizações sociais; b) uma dimensão gestão, definida pela maior autonomia e a introdução de três novas formas de responsabilização dos gestores – a administração por resultados, a competição administrada por excelência, e o controle social – em substituição parcial dos regulamentos rígidos, da supervisão e da auditoria, que caracterizam a administração burocrática; e c) uma dimensão cultural, de mudança de mentalidade, visando passar da desconfiança generalizada que caracteriza a administração burocrática para uma confiança maior, ainda que limitada, própria da administração gerencial.

Para a gestão pública, foi uma revolução, entretanto, são objetivos um tanto quanto comuns ao mundo corporativo, administração por resultados, formatos organizacionais, Liderança, Gestão. Com isso já se vão pouco mais de 20 anos. Muitas coisas melhoraram, como até já citei em outros artigos, a criação das Organizações Sociais (OS’s), Agências Regulatórias (ANEEL, ANTT, etc), as PPP’s (Parcerias Público-Privada), mas parece que ainda está faltando alguma coisa...
Ainda se vê em algumas instituições públicas “O Chefe”, a figura do tecnocrata, que não leva em consideração o lado humano, o aspecto social, só analisa o problema de forma fria, buscando uma solução técnica e prática e que muitas vezes nem isso consegue, ele seque ouve seus colaboradores e parceiros, simplesmente ele é o chefe, afinal, ele não erra, ele, quando muito, se engana.
Ainda nos dias atuais, em pleno século XXI, é o que falta em nossa cultura, o Líder na Gestão Pública, o Líder na resolução de problemas e situações, visando o contexto, o cliente, a pessoa, buscando alternativas, com ética e transparência, não um chefe, este profissional precisa ser “O Líder”, o Gestor, o Administrador, que luta por ideais, que almeja um país melhor, que sonha com um futuro, enfim, um cidadão brasileiro, que não desiste nunca!
Até a próxima.


Custos na Gestão Pública: Um caso de amor e ódio?


Redução de despesas, ponto de equilíbrio, efetivo acompanhamento de gastos enfim, apuração de custos, para alguns a solução, para outros um processo odioso, contudo no serviço público, cada vez mais, é essencial.

Já há alguns anos que se fala no Brasil e no mundo em redução de custos, economia nos gastos, diminuição de despesas, etc., principalmente no setor privado, nos últimos meses então, mais ainda devido a crise econômica que nosso país enfrenta.
No setor público também se fala de redução de gastos e custos, nas esferas Federal, Estadual e Municipal, entretanto, na prática, isto ocorre realmente?
Parece uma situação de amor e ódio. É totalmente necessário controles mais efetivos, apuração de despesas cada vez mais na microesfera, acompanhamentos periódicos com maior ênfase e detalhe, entre outros. Contudo, a sensação que redução de custos traz (infelizmente) às pessoas, é redução de pessoal, corte de benefícios, somente coisas ruins e contra as pessoas.
Devido a esta cultura sobre a área de Custos e como no serviço público, em sua grande maioria, os funcionários são estatutários (investidos através de concurso público), por isso não se aplica em grande parte dos serviços públicos pelo Brasil uma apuração de Custos?
Na área da Saúde, devido ao programa existente em vários estados das OS’s (Organizações Sociais), existe um acompanhamento mais amplo quanto a custos, até porque é uma exigência destes contratos informar a respectiva secretaria de saúde, suas despesas com algum certo detalhamento, com isso a atividade de Custos é realizada, mas nem sempre com foco em reduções (por incrível que pareça) apenas de demonstrar o que o contrato de gestão e a secretaria de saúde exigem.
Custos é uma das ferramentas de gestão que mais auxiliam um gestor em sua tomada de decisão. Através dos dados gerados pela área de Custos, ele pode enxergar distorções, “ralos” de gastos desnecessários, gargalos em receitas, possíveis projetos e programas a serem desenvolvidos ou melhor aproveitados, auxiliar no Planejamento e Orçamento tanto de uma instituição como da própria esfera governamental.
Na Constituição de 1988, foi introduzido, através do art. 165, mudanças no processo de elaboração do orçamento público no país, aliando o orçamento ao planejamento criando o PPA (Plano Plurianual), a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e a LOA (Lei Orçamentária Anual). Contudo, através da Lei Complementar nº 101/2000, no período do governo Fernando Henrique Cardoso se deu um passo importantíssimo no sentido de melhor acompanhar despesas e receitas, definir qual montante dos recursos poderão e em que serão aplicados, a projeção das receitas nos anos seguintes (o PPA traça um plano para os próximos três anos), o ponto de equilíbrio do governo, seja em qualquer esfera, pois a LRF, o PPA, a LDO e a LOA devem ser aplicados nas esferas Federal, Estadual e na esfera Municipal em cidades com população acima de 20.000 habitantes, esta Lei Complementar trata da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Como disse anteriormente, foi um grande passo, mas os governos não se ativeram em depurar melhor as informações, em acompanhar seus dados e indicadores e, atualmente, mal estão se preocupando com a própria Lei de Responsabilidade Fiscal. 
O Brasil está perdendo grandes oportunidades de melhorias, de crescimento, de liderança em alguns setores, simplesmente pelo fato de não conhecer, no detalhamento, seus custos e despesas, uma relação que no final, se transforma em amor e ódio e, como diria o ditado: “quando não se aprende pelo amor, se aprende pela dor”. Será que um dia nosso país aprenderá até mesmo por meio da dor? Porque tudo que acontece de errado em nosso país se resulta somente em aumento de impostos, desemprego, juros altos, por que não há planejamento e orçamento corretos? Infelizmente, acredito que ninguém neste país consegue responder a estas questões...
Até a próxima.


Como um chefe ruim pode prejudicar a equipe


Líderes ruins podem influenciar até na vida particular de uma pessoa. 
Cuidado, falta de liderança pode ser prejudicial a saúde.

A liderança é fundamental para a motivação de qualquer equipe. Uma relação ruim entre os colaboradores e os chefes pode não apenas tornar o ambiente de trabalho insustentável, como gerar um efeito cascata sobre outras áreas da vida das pessoas.
“Uma má liderança é sinônimo de prejuízo: significa que a equipe não produzirá tudo o que poderia e não se sentirá parte da empresa. Um chefe ruim cria uma equipe magoada, fragmentada, propensa ao boicote e ao descomprometimento”, explica Reinaldo Passadori, presidente do Instituto Passadori – especializado em educação corporativa.
Para funcionar, uma empresa precisa de pessoas comprometidas e engajadas com os processos. Chefes incapazes de motivar a equipe comprometem a dinâmica de trabalho e prejudicam os negócios. Alguns estudos de universidades norte-americanas relacionaram a má liderança a prejuízos no ambiente de trabalho e vida pessoal dos colaboradores.
1) O ambiente se torna hostil. Uma liderança mal feita é capaz de afetar todo o espírito da equipe. Um estudo da Universidade da Flórida revelou que comportamentos de fofoca e sabotagem se tornam comuns até entre os melhores colaboradores se eles se sentirem maltratados pela chefia.
2) A imagem externa da empresa fica prejudicada. A má atitude de um chefe não afeta apenas os colaboradores, mas como a empresa é vista no mercado. Foi isso o que mostrou uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia. Ao observar um clima hostil na empresa, é natural que os clientes façam generalizações negativas em relação ao ambiente de trabalho. Como consequência, é possível que não se sintam motivados a fechar contratos com a empresa.
3) A vida pessoal dos colaboradores é afetada. Ninguém é totalmente capaz de separar o que acontece no trabalho e em casa. Por isso, uma relação ruim com o chefe pode impactar na vida familiar. Segundo um estudo da Universidade de Baylor, ter um líder abusivo – que faz uso de xingamentos, críticas públicas e acessos de raiva, por exemplo – pode resultar em mais conflitos domésticos para os colaboradores.
4) A criatividade da equipe cai. Um estudo da Universidade da Florida revelou que as pessoas que atuam em ambientes estressantes são 30% menos criativas e apresentam ideias 25% a menos do que as que trabalham em ambientes agradáveis.
Como mudar esse cenário? Para corrigir esse cenário, é fundamental mudar a cultura da empresa. Passadori explica que, para isso, é preciso começar do topo: investindo na formação de bons líderes.
“Um bom líder precisa ser assertivo. É importante que saiba se comunicar com as pessoas, entender como cada uma delas é e ser flexível, para aproveitar os pontos fortes”, explica. Além disso, ele precisa ser respeitoso, ter consideração e empatia com a equipe e saber controlar o próprio temperamento.
Para os colaboradores que lidam com uma chefia ruim, o profissional orienta que procurem o diálogo com a diretoria e outros colaboradores, relatem as falhas observadas e apresentem alternativas a esses processos. “Já vi muitos casos de pessoas que não pediram demissão da empresa, mas da chefia. É preciso estar atento a isso para não perder bons membros na equipe”, defende.
Fontes:


Recursos e Verbas Públicas, O que Acontece com o Brasil?


Porque nossos gestores públicos “têm tanta dificuldade” em administrá-los? Porque sempre são contingenciadas verbas de áreas prioritárias?

O assunto não poderia, infelizmente, ser outro: o corte monumental nos recursos da educação. Primeiramente, vamos detalhar um pouco mais a questão, tratando através de números, o qual deveria ser como os gestores deveriam tratar o caso. Há pouco mais de um mês, mais especificamente, em 29 de março, o governo federal anunciou que, para cumprir o teto de gastos (Lei de Responsabilidade Fiscal), contingenciaria cerca de R$ 30 bilhões do orçamento, mas conforme decreto nº 9.741, não está especificado de onde derivariam estes recursos.

MINISTÉRIO DAS CIÊNCIAS E TECNOLOGIA

Os cortes iniciaram no Ministério das Ciências e Tecnologia (MCTIC) que “sentiu na carne”, quase 42% de reduções em suas verbas, dos pouco mais de R$ 5 bilhões anuais, houve corte de R$ 2,1 milhões.

ENSINO SUPERIOR E EDUCAÇÃO BÁSICA

Alguns dias após os cortes no MCTIC veio a primeira “facada” (parece um tom de vingança...): o Ensino Superior. O Ministro da Educação Abraham Weintraub, declarou que este corte de R$ 2,2 bilhões nos gastos com Educação Superior era devido aos resultados acadêmicos obtidos abaixo do desempenho espero e pelas Universidades que promovessem “balbúrdia” (como se isso fosse possível de fazer mais que o próprio governo). Algumas Universidades foram citadas como exemplo, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade de Brasília (UNB), pois foram instituições com ideologias contrárias ao governo federal, mas o corte se estende à todas as Universidades Federais do país. Atualmente, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil ocupa a 24ª posição quando é avaliado o percentual de alunos matriculados no Ensino Superior em relação a grupo da população com idade entre 18 e 24 anos e nosso país investe cerca de U$ 11,6 mil (R$ 36 mil) por aluno, número razoável, se aproximando de países europeus como Portugal e estando a frente da Polônia.

Contudo, logo em seguida, para tentar minimizar a questão, o governo anunciou que esta verba retida do Ensino Superior seria revertida a Educação Básica, mas, qual a surpresa? O governo anunciou retenção de verba também na Educação Básica, R$ 2,4 bilhões, mais ainda do que cortou do Ensino Superior. UMA VERGONHA!!!

A Educação Básica no Brasil tem um dos piores índices do mundo, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país aplica por aluno cerca de U$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) no primeiro ciclo da Educação Básica, ou seja, até o 5º ano. Nosso país está muito bem no ranking relativo a porcentagem utilizada do PIB (cerca de 6%) utilizado na Educação, de acordo com o Relatório de 2018 da OCDE, o Brasil está em 4º lugar, relatório este que recomenda o redirecionamento de recursos aplicados no Ensino Superior para a Educação Básica. O problema é que, além de não gerenciar e nem aplicar devidamente esses recursos, ainda por cima cerceia parte desta verba.

IDEB

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), conforme dados de 2018, aponta que, apesar de vir em queda desde 2013 em relação a meta atingida, os anos iniciais do Ensino Fundamental nas escolas públicas (as privadas não), cumprem as metas previamente estabelecidas pelo IDEB.

Além de todos estes fatos que mencionamos acima, corte de recursos, desempenho insatisfatório, entre outros, em novembro passado, um instituto, Varkey Foundation, divulgou uma pesquisa realizada em 35 países que constatou que o Brasil é o pior entre eles, que menos valoriza a profissão de professor, ou seja, além de todas as questões já citadas, a percepção do povo brasileiro é que os professores trabalham muito, ganham cada vez menos, tem menos respeito por parte dos alunos, tudo isso num dos piores sistemas educacionais do mundo, a situação só tende a piorar com estes contingenciamentos das verbas da educação.

Provavelmente, nosso presidente e o ministro da educação, devem ter respondido a esta pesquisa relativa ao status do professor...

Até a próxima!

Trabalhar no Setor Público, sua chance de mudar o mundo?


Há quem diga que a chance que uma pessoa tem para mudar o mundo é atuando no setor público, será?


O nosso tema deste artigo é se realmente, atuando no setor público, uma pessoa, um profissional, pode mudar o mundo? Talvez sim...talvez não...
Vamos do básico. O setor público no Brasil, por muitos anos foi objeto de desejo da maior parte da população, (em muitas áreas e atividades ainda é) devido a estabilidade profissional, altos salários em certos tipos de atividades e, infelizmente, em muitos casos, o comodismo, o cabide de emprego.
Entretanto, de alguns anos para cá, as coisas estão mudando, principalmente com a criação de cursos de graduação e pós-graduação específicos para o setor, o que está proporcionando à várias pessoas e profissionais, tanto que já atuam no segmento como quem está fora, a ingressar nestes cursos. Os profissionais que já atuam ou que ingressam nos cursos, geralmente buscam aprimoramento, entender a metodologia e aplicabilidade de recursos, entendimento político partidário, entre outros, mas ainda existe aquele "grupinho" que ingressa com metas definidas como, melhorar sua classificação, sua pontuação e, claro, seus rendimentos. Não condeno profissionais assim, cada pessoa sabe o que é melhor para si, porém, quem está de fora, tem outros objetivos, ampliar seus conhecimentos, entender políticas públicas, os impactos sociais, enfim, mudar o mundo. Contudo, será que é possível?
A área da Gestão Pública, os profissionais que nela atuam, tem por atividade elaborar, avaliar e coordenar políticas públicas, desenvolvendo e melhorando os processos, buscando efetividade e aperfeiçoamento no que tange ao serviço público. Mas nem todos que se formam conseguem atuar diretamente com este tipo de tarefa, às vezes, acabam partindo para outros setores públicos como educação, saúde, assistência social, segurança, entre outros. 
Agora te pergunto, mas quem tem maior chance de mudar o mundo, o profissional que atua especificamente nas diretrizes de políticas públicas, onde estão envolvidos governantes, políticos e seus partidos ou aquele profissional atuante nos ramos citados anteriormente que possuem contato direto com a população, entendem as dificuldades que seus colegas passam no dia a dia, vivenciam a situação? Na minha humilde opinião, claro que são os profissionais da educação, da saúde, assistência social, segurança, transporte, etc., que podem proporcionar, ou pelo menos, iniciar esta mudança, quem melhor do que eles para conhecer a real circunstância a que seus segmentos estão ligados? Quem melhor entende o que é necessário? Quem melhor entende o que fazer no seu segmento, ou seja, "como mudar o mundo"?
Como disse certa vez Nelson Mandela: "A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo" ou ainda como Mahatma Gandhi dizia, "Seja a mudança que você quer ver no mundo". Existe um ditado, que acredito que muitos conhecem que diz "uma andorinha só não faz verão", mas pode, pelo menos, começar, incentivar, instigar a mudança. Devemos ter este sentimento de mudança. Entendo que, como citado por Martin Luther King, em seu famoso pronunciamento "I have a dream" (eu tenho um sonho) em 1963 na escadaria do monumento a Lincoln, em Washington DC - USA: "Não podemos caminhar sozinhos", mas alguém tem que dar o primeiro passo, o primeiro passo para a mudança, para fazer a diferença, talvez assim, o mundo inteiro não sei, mas podemos, pelo menos, mudar o mundo que está a nossa volta.
Até a próxima!


Somente dinheiro motiva um Gestor Público?


Não existe outra motivação dentro dos serviços públicos além de dinheiro, altos salários, benefícios?


A gestão pública, ao mesmo tempo em que é um setor profissional da sociedade almejado por muitos, parece que para outros, nem tanto assim, devido a questão financeira. Mas, será se não há atrativos? Será que não há desafios? Como tratei em um outro artigo que escrevi (https://liderancapublica.blogspot.com/2019/10/trabalhar-no-setor-publico-sua-chance.html), não há mais interesse dos profissionais nesta questão?
Vamos exemplificar. O atual prefeito de São Paulo, Sr. Bruno Covas, no mês de fevereiro/19, sancionou (na surdina), uma lei para beneficiar os secretários municipais da cidade, alegando que, para convidar profissionais gabaritados para exercer os respectivos cargos, o salário mensal de cerca de R$ 19.000,00 é pouco atrativo (quase 20 vezes o salário mínimo do país, onde em São Paulo a renda média per capita é de R$ 1.712 e temos, atualmente, conforme estatística do IBGE, quase 13 milhões de desempregados). Entendo que não é um cargo qualquer, muito menos que deva ser exercido por um profissional que não seja da área, mas considerar R$ 19.000,00 insuficientes, já é um pouco demais (desculpem o trocadilho final)! Esta lei permite que cada secretário possa fazer parte do Conselho Administrativo de empresas públicas, o que era vetado anteriormente, podendo este acrescer de JETOM (que é o pagamento realizado tanto na esfera municipal, estadual ou federal, por serviços extraordinários realizados por parlamentares, secretários, ministros entre outros, seja em sessões extraordinárias como em conselhos administrativos de empresas públicas) o valor de R$ 6.000,00 (e R$ 3.000,00 para participação em conselhos fiscais destas empresas). Contudo, há secretários que participam em mais de um conselho administrativo como o secretário de governo Mauro Ricardo, que participa do Conselho Administrativo da SP Urbanismo e do conselho da SP Obras. Não ficou claro na nova lei sancionada se o acúmulo de “conselhos” adiciona mais jetons ao salário dos secretários. Se todos os secretários, são 25 no total, ocuparem um cargo em Conselho Administrativo, isto acarretará, somente de jetons, quase R$ 2 milhões reais/ano aos cofres públicos.
Compreendo, nem relógio trabalha de graça, entretanto, onde está a cidadania destes nossos gestores? Não há nenhuma motivação, objetivo ou simplesmente vontade de melhorar a cidade, fazê-la crescer, se desenvolver? Só o ganho financeiro que importa? Existem tantos outros benefícios como carro, motorista, entre outros e, torno a repetir, R$ 19.000,00 não bastam? A sensação que temos é que nossos gestores não se importam com o município, estado ou mesmo a nação que “ajudam a gerir”, simplesmente o que vale é seu próprio interesse, o seu próprio bolso. Será que estou sendo muito crítico? Ou esta sim é a realidade em que vivemos? Parece que só trocaram os palhaços, pois o circo continua o mesmo...
Até a próxima!

Bibliografia:



SÉRIE: TIPOS DE GESTÃO DE PÚBLICA – Art. IV: Gestão pela Competência


Neste quarto e último capítulo, apresentamos o que todos deveriam fazer, principalmente no setor Público, a Gestão pela Competência, com conhecimento, experiência, expertise e resiliência.



Neste último episódio de nossa série, apresentamos o que todos os níveis no serviço público (pois no privado, em sua grande maioria, o que mais se exige é isso), deveriam exercer que a Gestão pela Competência.

Vários autores, estudiosos, expert’s no assunto, criam vários títulos para uma gestão de qualidade, exercida através de Liderança, Foco em Resultados, Gestão de Desempenho, entre outros, não estou a criticar nenhum deles, muito pelo contrário, algumas possuem resultados impressionantes, mas, como diz uma música dos Engenheiros do Hawaii, todos são “variações sobre um mesmo tema”, ou seja, o objetivo é realizar aquela atividade, plano de ação, atingir os resultados almejados, contudo, sem competência dos partícipes e, claro do gestor, se torna cada vez mais difícil. Mas, o que vem a ser uma Gestão pela Competência? Simples, não somente a liderança de um determinado setor, órgão público, secretaria, governo, etc., o profissional deve ser profundo conhecedor do tema em que vai atuar, possuir experiências anteriores, ter “know hall” para exercer o papel ao qual está sendo designado, ser um líder nato, de preferência, para motivar todos ao seu redor, não necessariamente precisando de contratações exacerbadas para onerar ainda mais os cofres públicos, claro, algumas pessoas de extrema confiança serão de suma importância, mas todo material humano que já atua naquela área, naquele departamento é muito útil, por conhecer os meandres, os detalhes, muitas vezes são profissionais excepcionais que simplesmente nunca foram reconhecidos ou valorizados e podem apontar soluções fantásticas.

Em nosso país, no serviço público, inúmeras vezes ouvimos dizer que não há solução, que nada tem jeito, são problemas de infraestrutura, são problemas com a falta de verba (ou excesso, que muitas vezes, infelizmente, são desviadas), burocracia, legislação defasada, enfim, parece que nosso país é um poço de problemas, para tanto, só posso dizer uma coisa: - É MENTIRA! Nós vivemos em um dos países mais ricos do mundo, estamos entre as 20 maiores economias, fazemos parte do G20, fazemos parte também do BRICS, um grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que se uniram, pois são os países mais emergentes do mundo. Tudo isso porque somos uma potência, entretanto, nossos governantes não tem este mesmo objetivo. Se nos últimos 30 anos, tivéssemos governos, tanto na esfera municipal, estadual ou federal, engajados com a Gestão pela Competência, com certeza estaríamos no G8 (grupo dos 8 países mais fortes do mundo) e digo mais, entre os cinco primeiros. Estou exagerando? De jeito nenhum. Alguns exemplos disso. Nosso querido país é o maior produtor de café do mundo, o segundo maior produtor de soja do mundo, o segundo maior rebanho de gado de corte e leite do mundo, o maior exportador de carne bovina do mundo, sem contar nossas riquezas naturais, pois somos a maior reserva de água doce do planeta (o aquífero Guarani, que vai desde o Rio Grande do Sul até Mato Grosso), o qual sustentaria o planeta por 200 anos, maior jazida de esmeraldas do mundo, entre outros. Porque então não somos os maiores do mundo? O que nos falta? GESTÃO POR COMPETÊNCIA.

Profissionais gabaritados, com vontade, políticos engajados com o país e não com o próprio bolso, uma população mais participativa, mais bem informada, enfim, todos temos nossa parcela de culpa neste cenário, mas precisamos nos tornar líderes, líderes de nós mesmos, almejando melhorar toda esta situação, sei o quanto é difícil “mudar o mundo”, mas podemos começar mudando nossas mentes, nosso vizinho, nosso bairro, não jogando um simples papel de bala de no chão, já faz toda a diferença, somos mais de 200 milhões, se 2% da população criasse hábitos como este exemplificado, seriam 4 milhões de novos brasileiros, é ou não uma grande diferença? Finalizo esta série com uma pergunta que ouvi em algum seriado de uma dessas plataformas de streaming:

- O que você prefere, uma ovelha liderando leões, ou um leão liderando ovelhas?

Obrigado pela paciência e atenção de todos, estou a ordem para discutir sobre estes e quaisquer outros temas.

Até a próxima!

SÉRIE: TIPOS DE GESTÃO DE PÚBLICA – Art. III: Gestão pela Inoperância

Neste terceiro capítulo, apresentaremos a Gestão pela Inoperância. Infelizmente, um fato corriqueiro na Gestão Pública. O que significa? O que caracteriza? Esta nomenclatura, muita utilizada, principalmente, no meio político, contudo, devia aparecer menos e “operar” mais...


               Neste terceiro capítulo na nossa série TIPOS DE GESTÃO PÚBLICA, vamos abordar o que chamamos de Gestão pela Inoperância. Inoperância é uma derivação da palavra inoperante, que significa ineficaz, que não opera, sem efeito, entretanto no meio da gestão da pública, um predicado um tanto quanto usual, mais comum do que deveria.

                Mas você pode me perguntar, como pode haver um profissional, um órgão, uma instituição, não somente pública, que pode gerir algo pela inoperância? Como já citei infelizmente, isto é muito mais comum em Gestão Pública do que imaginamos. Vamos explanar este tema desde o princípio, focando na máquina pública.

           Uma campanha eleitoral para determinado cargo legislativo, vários candidatos aparecem mencionando que irão atuar na Saúde, Educação, Segurança, Trabalho, entre outras áreas. O mesmo é eleito, toma posse e qual seu primeiro ato exercendo tal cargo? Buscar informações sobre seus benefícios como auxílio isso, auxílio aquilo, quantos assessores ele pode dispor, verba para isso, verba para tal, e assim por diante. Já começou sua inoperância. E os projetos e áreas que precisava trabalhar, que precisavam de mudanças? Não que o eleito já tenha que começar “tentar mudar o mundo”, é sabido que o mesmo precisa de assessores, estrutura para trabalhar, entretanto não seria mais EFICAZ que o mesmo já tivesse um projeto? A grande maioria simplesmente quer “uma boquinha” dentro da máquina pública que, neste Brasil, é mais que uma mãe. Muitas vezes, nem os cargos eletivos, prefeitos, governadores, presidentes, possuem um projeto bem estruturado, muitas vezes deixam a cargo de seus secretários e ministros para desempenharem esta tarefa, os quais, na grande esmagadora maioria, são nomeados não por sua capacidade, mas sim por vínculos partidários ou pior, por amizade ou indicação de “concorrentes” políticos, como no caso do recém empossado governador do estado de São Paulo, João Dória, que tanto criticou o governo do ex-presidente Michel Temer  e nomeou 09 nomes da antiga gestão (Vinicius Lummertz-Turismo, Alexandre Baldy-Transportes Metropolitanos, Sérgio Sá Leitão-Cultura, Rossieli Soares-Educação, Gilberto Kassab-Casa Civil, que já foi substituído logo após sua posse devido ao fato de ser alvo de investigação da Polícia Federal, por Antonio Carlos Maluf, Aloysio Nunes Ferreira, vai comandar a Investe SP, agência de promoção de investimentos, Nelson de Souza, que chefiará três estatais paulistas e por último, finalmente, ufa, Antonio Claret de Oliveira, que presidirá o Departamento Aeroviário de SP). Como cito em artigos anteriores e torno a repetir, não sou partidário, nem defendo ou incrimino A ou B, apenas estou exemplificando e ilustrando meus pontos de vista.

            Tratando mais no detalhe, na gestão propriamente dita, como por exemplo, caso apurado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) onde a inoperância, a falha de governança, a inabilidade e, até inexperiência de alguns, levaram a Petrobrás, por parte de seu CA (Conselho de Administração), mais uma vez, a um prejuízo na ordem de mais R$ 43 bilhões (https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias-antigo/gestao-antieconomica-de-refinarias-pode-ter-gerado-prejuizo-a-petrobras.htm). Agora, para compor um “Conselho Administrativo”, ainda mais da maior empresa estatal da América Latina, como podem cometer falhas apontadas pelo relatório do TCU como falta de planejamento e direcionamento estratégico? Outra vulnerabilidade apontada pela Corte de Contas foi referente ao rito de indicação da União para membros do CA, com falta de critérios objetivos, transparência e segregação de funções, entre outras, diz José Mucio Monteiro, ministro relator do TCU. Quer maior ineficácia, maior inoperância do que isso na gestão pública?

Até o próximo e último capítulo da nossa série!

SÉRIE: TIPOS DE GESTÃO DE PÚBLICA – Art. II: Gestão pelo Entusiasmo


Neste segundo capítulo, exemplificaremos a Gestão pelo Entusiasmo. O que vem a ser? Nunca ouviu falar? Esta nomenclatura pode não ser muito utilizada, mas, aparentemente, está ocorrendo com muita frequência e sendo muito difundida no setor público...


Neste novo capítulo da nossa série: Tipos de Gestão Pública, debateremos sobre uma prática que (felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista de cada um) acontece mais do que possamos imaginar, talvez pelo título que estamos adotando, poucos tenho ouvido a cerca de, entretanto, é uma situação até que corriqueira, a Gestão pelo Entusiasmo.

O que vem a ser este tipo de Gestão? Adotamos esta nomenclatura porque esta é a verdadeira conjuntura, Entusiasmo.

A palavra entusiasmo, no dicionário, significa um estado de grande arrebatamento e alegria. A origem da palavra vem do grego “en-theos-asm” (sopro de Deus dentro) e, como diz Marco Fabossi (sócio-diretor da empresa Crescimentum), em seu blog: “o sucesso e o êxito estão, na maioria das vezes, mais relacionados ao entusiasmo das pessoas que à sua capacitação técnica ou à abundância de recursos.”

No meu entendimento, perfeita definição, mas gerir uma instituição com mais entusiasmo do que capacitação funciona? E com falta de recursos? Muitas vezes, o entusiasmo não só ajuda como motiva todos que estão ao redor daquele líder (uma liderança e não um chefe, como tratamos em outros artigos), pois é contagiante a vontade, as boas perspectivas, a esperança na resolução de uma questão, entre outros. Contudo, somente entusiasmo basta? Em diversos setores onde desempenhar uma função ou tarefa dependa mais da força de vencer, atingir suas metas e objetivos, talvez, como em uma partida de futebol, como Fabossi trata no artigo mencionado, mas em gestão, o líder também precisa ser habilitado, ter condições técnicas para, além de ocupar tal função, desempenhá-la. No setor público, principalmente no início das gestões, há muita empolgação, o nosso famoso “entusiasmo”, mas capacidade técnica, conhecimento, especialização no tema, passa longe deste gestor em grande parte das vezes, então aí começa a Gestão pelo Entusiasmo. No começo, em alguns casos, é até fascinante ver esta vontade, esta gana em desempenhar a devida função, em resolver questões, apontar soluções, porém, na maioria das vezes, com a falta de habilidades para o cargo, a escassez de recursos que, muitas vezes é grande e bem comum, este entusiasmo, que no começo era empolgante, contagiante, passa a apresentar o mesmo efeito, infelizmente, totalmente contrário, tornando-se igualmente contagiante, igualmente arrebatador, contudo negativamente. As pessoas ao redor deste gestor tendem a se sentir desmotivadas, desanimadas e até desrespeitadas, pois o ambiente vai tornando-se degradado, pesado, muitas vezes insustentável, por estes motivos e questões que, avaliando por este prisma, consideramos uma gestão desta maneira, sem capacidade ou a devida competência, totalmente inapropriada.

Não estou afirmando que não devemos ter entusiasmo, muito pelo contrário, este sentimento ajuda a reger, comandar nossas vidas, seja no âmbito pessoal como profissional, mas nunca devemos deixar que este sentimento, domine 100% de nossas ações, tudo que fazemos em nossas vidas precisa estar embasado, não podemos querer pilotar uma Ferrari, sendo que não sabemos dirigir um fusca, claro que podemos (e devemos) sonhar, nossos objetivos são atingidos porque são motivados por nossos sonhos, mas parte disto somente será realizado se, como no exemplo, aprendermos a dirigir o fusca...

Até o próximo capítulo!